Transportadores de grãos de todo o País estão em compasso de espera para a colheita de mais uma superssafra de soja. A última estimativa divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de que serão colhidas 196,7 milhões de toneladas de grãos nesta safra. Isso representa um crescimento de 5,2% em relação à anterior. O maior crescimento será na soja (10,8%), que representa quase metade da produção (90,3 milhões de toneladas), e cuja colheita é concentrada no início do ano.
Diante de números tão expressivos, os transportadores apostam num aumento de 10% no frete no pico da safra (fevereiro e março). São R$ 180 a tonelada de Rondonópolis a Santos. A estimativa é que chegue a R$ 240, no pico da safra, no mesmo trajeto.
O superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de Maringá (Setcamar), Geasi Oliveira de Souza, também espera um aumento de 10% no frete no pico da nova safra na comparação com o mesmo período do ano passado. “Isso se tudo ocorrer como o previsto e faltar caminhão no mercado”, ressalva. Mas ele, que também é integrante da Câmara Temática de Agronegócio da NTC&Logística, acredita que o transporte de grãos vive um momento delicado. “As transportadoras estão endividadas como nunca, compraram muitos caminhões com recursos do BNDES. Se a safra não corresponder, o problema será grande”, afirma. Para Souza, as empresas de transporte não devem ficar dependentes apenas de um segmento da economia. “É preciso diversificar”, aconselha.
Em relação aos problemas de infraestrutura, ele conta que o escoamento de grãos por Paranaguá melhorou muito nos últimos anos, com a implantação da Operação Safra, sistema que exige o cadastramento do caminhão no porto antes do início da viagem. “Esse sistema está em processo de ajuste, mas não há mais aquelas filas enormes de caminhões esperando nas rodovias”, conta.
Fonte: Revista Carga Pesada
