A indústria catarinense gasta R$ 0,14 a cada R$ 1,00 bruto faturado com a logística, segundo pesquisa Custo Logístico na Indústria Catarinense, divulgada pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), que faz parte do Programa Catarinense de Logística Empresarial. O estudo feito pelo Laboratório de desempenho Logístico da UFSC foi apresentado na manhã de hoje pelo professor, Carlos Taboada, durante o Seminário Agenda Estratégica da Indústria para a Infraestrutura de Transporte e a Logística Catarina.
O evento teve a apresentação do presidente da Fiesc, Glauco José Côrte sobre o tema do encontro e segundo ele, a média de custo da Logística é de 14% bem acima da dos Estados Unidos que é de 9%. O transporte tem um peso de 49% do total gasto com logística de suprimentos e produtos acabados pela indústria catarinense.
Para Côrte, o problema está no atraso na execução de obras em rodovias, portos, construção de ferrovias, entre outros. Por isso, destacou que a Fiesc vai lançar nesta semana o site Monitora Fiesc que vai oferecer aos catarinenses um panorama completo sobre o andamento de todas as obras. E que o serviço possa subsidiar autoridades para tomar as providências necessárias. "O problema é termos um sistema de gestão adequado das obras que tem provocado atrasos e com custos muito superiores aos planejados".
O presidente da Fiesc citou os problemas como da Via Expressa que dá acesso à Florianópolis e os gargalos na BR-101 que elevam os custos significativamente.
"Estamos mostrando que Santa Catarina tem que investir muito em infraestrutura e logística, além de aumentar o uso de outros modais, como é o caso da cabotagem. Também enfatizamos a necessidade de um acompanhamento e um planejamento integrado dos investimentos", disse Côrte.
O presidente da Fetrancesc, Pedro Lopes, participou da mesa que teve ainda a presença de deputados e senadores da Frente Parlamentar Catarinense. E na plateia empresários e responsáveis pela logísticas das indústrias do Estado.
O transporte custa R$ 0,07 em cada real faturado, aponta pesquisa
De acordo com Taboada, das 55 empresas que responderam a pesquisa e que representam 20% do PIB, valores de 2012, para R$ 1,00 bruto faturado, R$ 0,07 é o custo do transporte; R$ 0,05 o custo do estoque, da armazenagem é R$ 0,02% e administração da logística custo zero.
Na estrutura global de custos logísticos catarinenses, o transporte tem o peso de 49% de todos os gastos com logística para a indústria catarinense. Outros 35% vão para o custo de estoque e 14% para pagar a armazenagem e a administração fica com R$ 0,002, por isso aparece com zero, pois sua incidência ocorre só na terceira casa decimal.
Quando se analisa os valores dos itens de logística armazenagem, custo de estoque e transporte agrupados em Suprimentos representa R$ 0,06 e os mesmos itens agrupados em Distribuição física significam R$ 0,08 a cada Real faturado. No primeiro caso o custo do transporte fica em 35%, sendo superado pelo custo do estoque com 56%, mas acima da armazenagem que é 9%. Na Distribuição física, o transporte lidera com 56%, seguido de custo de estoque com 25% e 19% da armazenagem.
Os custos por setores produtivos também foram estabelecidos pela pesquisa. De acordo com o professor Taboada, se a média é de R$ 0,14 por real faturado, alguns segmentos o valor é muito superior como o da madeira que lidera com R$ 0,26. Atrás vem o material elétrico e mecânico, com R$ 0,22; metalúrgica, com R$ 0,19; mobiliário, com R$ 0,18. O menor é o do vestuário com R$ 0,05 e seguido pelos têxtil, química, minerais não metálicos, com R$ 0,09; materiais plástico com R$ 0,14; alimentos e bebidas e papel e papelão com R$ 0,17.
Mas avaliados os custos logísticos setoriais por processo o transporte tem o maior peso em valores e, consequentemente, em percentuais em quase todos os processos, ficando de fora somente o de material elétrico, superado pelo estoque.
Quando os setores foram separados por região o custo de logística por real faturado ficou maior no Norte com R$ 0,19, Grande Florianópolis com R$ 0,18, Vale do Itajaí, R$ 0,17, Serra, R$ 0,13, Oeste R$, 0,12 e Sul R$ 0,10. Quando avaliado item por item do custo logístico, o transporte tem um custo maior em quase todas as regiões, menos a do Vale do Itajaí.
O que contribui para os valores e percentuais de cada região é quem paga pelo frete, o fornecedor e ou comprador, o estoque mantido pela empresa, tipo de produto ou matéria prima e a necessidade de transporte.
Fonte: Imprensa Fetrancesc.
