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Pesquisa aponta defasagem de quase 21% no frete

Pesquisa aponta defasagem de quase 21% no frete

As principais lideranças do transporte rodoviário de cargas (TRC) de Santa Catarina estiveram no Rio de Janeiro nesta quinta e nesta sexta-feira, dias 03 e 04 de agosto, onde debateram assuntos de grande importância do setor, em mais uma edição Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado (CONET), além da Intersindical.
 
Durante o encontro, Neuto Gonçalves dos Reis, diretor técnico da NTC&Logística, apresentou a variação do Índice Nacional do Custo do Transporte (INCT). Já Lauro Valdivia, assessor técnico da NTC&Logística, apresentou o resultado da pesquisa de mercado realizada em parceria com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A pesquisa envolveu 2.290 empresas do TRC em todo o Brasil e aponta o cenário no primeiro semestre de 2017.
 
As lideranças catarinenses também aproveitaram o encontro para estreitar os contatos com as lideranças nacionais. Na foto, Osmar Ricardo Labes, presidente do SETCESC, ao lado de Ari Rabaiolli (presidente da Fetrancesc), Paulo Simionni (vice-presidente do Setcom), José Helio Fernandes (presidente da NTC&Logística), Urubatan Helou (vice-presidente da NTC&Logística), Riberto Lima (presidente do Sindicato das Empresas de Logística e Transporte de Cargas da Região da Amurel – Setram) e Osni Roman (presidente da Coopercarga).
 
 
 
 
Pesquisa Nacional
 
A Pesquisa nacional envolvendo 2.290 empresas e realizada em agosto de 2017 pela NTC&Logística, em colaboração com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), revelou a situação das empresas transportadoras no primeiro semestre de 2017.
 
1. Queda no faturamento para 70,5% das empresas pesquisadas;
2. As receitas diminuíram em 10,32%;
3. O valor do frete caiu, em média, 2,98%;
4. 91% das empresas diminuíram de tamanho;
5. 54,7% das empresas têm recebido frete com atraso.
 
A pesquisa apontou alguns fatores que contribuíram para tal situação. Em primeiro lugar, estão os aumentos de custos, especialmente as majorações nos últimos 12 meses de salários que chegaram a 4%, combustível 4,25%, despesas administrativas 9,2%, manutenção 6,58%, veículo 5,61% e lavagem 8,4%.
 
Contribuíram também o baixo volume de carga provocado pela situação econômica por que passa o país, assim como o aumento do roubo de cargas na região metropolitana do Rio de Janeiro. É sempre importante destacar a existência dos riscos suportados pelas empresas que necessitam ser cobertos conforme a especificidade do serviço e da carga, como é o caso do frete-valor, do gerenciamento de riscos (GRIS) e de generalidades como a taxa de restrição de trânsito (TRT), dentre outros, inclusive os de caráter emergencial e transitório, como é o caso da taxa de emergência excepcional (EMEX), criados para cobrir os custos decorrentes da situação da falta de segurança, escoltas urbanas, aumento no valor da cobertura securitária e das restrições impostas à prestação de serviço de transporte.
 
Como se não bastasse tudo isso, o setor ainda enfrenta o comprometimento de seu faturamento com o aumento cada vez maior de fretes atrasados (14,3% do faturamento). Essa situação já ultrapassou o limite do suportável, sobretudo se levarmos em consideração as margens estreitas de lucro alcançadas pelas empresas do setor quando a economia estava em expansão e que acabaram sendo negativas pela pressão imposta pela recessão. Apesar disso tudo, o primeiro semestre de 2017 foi um pouco melhor que o ano de 2016 para o setor, com números um pouco melhores, mas ainda distantes do ideal. Ajudou a modesta recuperação na economia, principalmente em função da safra recorde e das exportações.
 
Defasagem
 
Com relação ao frete rodoviário praticado, a pesquisa continua apontando uma defasagem da ordem de 20,89% na carga lotação e de 7,72% na carga fracionada. Essas defasagens foram calculadas comparando os valores das planilhas referenciais de custos da NTC&Logística (que não incluem impostos e margem de lucro) com os fretes médios praticados pelas empresas pesquisadas.
 
Portanto, fica evidente que é imprescindível e urgente que se faça, o quanto antes, um realinhamento dos fretes praticados acompanhado da cobrança dos demais componentes tarifários: frete-valor, GRIS e generalidades do transporte. Se essa melhora não se concretizar, o país corre o risco de um grave colapso em uma atividade essencial para a economia e para a sociedade brasileira, pois, há 3 anos, não há investimentos por parte das empresas transportadoras que sobreviveram no setor.

    

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