A greve dos caminhoneiros pelo país está chegando ao fim, após mais de uma semana de paralisação, rodovias interditadas, e cargas que não chegavam a seu destino final. Porém, o foco de preocupação agora chega às empresas de transporte rodoviário de carga, que, por conta de uma defasagem do frete cobrado pelos embarcadores, tem um futuro de incertezas pela frente, apontado pelo estudo da Nacional de Transportes de Carga (NTC).
O levantamento foi apresentado durante a primeira reunião do Conselho Nacional de Estudos em Transportes, Custos, Tarifas e Mercados – Conet & Intersindical –, que ocorreu em Salvador, na última quinta-feira, e constatou uma diferença de 14,11% entre os fretes praticados pelas transportadoras e os custos efetivos para realizar os serviços. O presidente do SETECESC, Osmar Ricardo Labes, participou do encontro.
A diferença tem origem, principalmente, na inflação de insumos (como o diesel, energia elétrica, IPTU), bem como das defasagens que vem se acumulando ao longo dos últimos anos.
O atual cenário para esta prestação de serviços enfrenta um paradigma comercial que está colocando a grande parte das empresas em risco. Por conta do alto número de transportadoras atuando no país, os embarcadores – clientes, como grandes fábricas e indústrias, por exemplo – tem pagado fretes muito baixos. Sem escolha, os empresários não podem aumentar o valor do frete para o transporte, temendo que os concorrentes lancem um preço mais baixo, em um processo de concorrência desleal.
O setor também vem registrando pressões sobre os custos nos últimos anos, como o aumento das restrições à circulação de veículos nos centros urbanos, barreiras fiscais, ineficiência de terminais de embarcadores, questões trabalhistas e o aumento significativo de exigências operacionais, comerciais e financeiras por parte dos clientes. Somam-se a isso as precárias condições da infraestrutura enfrentadas pelas empresas e a escassez de mão-de-obra qualificada, que registra atualmente uma falta de 106 mil motoristas no mercado.
Custo operacional
De acordo com o assessor técnico da NTC, Lauro Valdívia, o valor médio do frete pago pelos embarcadores às transportadoras é de R$ 4 por quilômetro rodado, porém, o número oscila em muitos casos, e é insuficiente, visto que o custo operacional passa por muitos itens, como o combustível, manutenção dos veículos, salários dos caminhoneiros, etc.
O empresário Urubatan Helou, proprietário da Braspress, chegou a colocar, entra as alternativas, para conter a defasagem, a criação de uma “Bandeira 2”, para o transporte durante os meses de janeiro e fevereiro “Nós chegamos a ter 68% de custo fixo em nossa receita todo mês. É um gasto muito alto”, declarou.
Junto ao frete baixo, e os custos operacionais, estão também, os aumentos das tarifas públicas e impostos, alguns dos quais já são sentidos, como é o caso dos combustíveis cujos preços se elevaram em torno de 13,49%. A NTC teme que o aumento de combustíveis cause um efeito cascata, elevando muitos outros insumos, nos próximos anos.
Fonte: Portal IG
